
O mês de março começou diferente para os moradores do Espírito Santo. Em 78 municípios do estado, mais de 1.500 lojas de supermercados estão proibidas de funcionar aos domingos, em cumprimento à nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). A medida, que vale até 31 de outubro de 2026, impacta diretamente 70 mil trabalhadores (as) e consumidores, e reacende o debate sobre jornada de trabalho e direitos.
O fechamento aos domingos é resultado de uma combinação de fatores apontados pelas entidades do setor: dificuldade para contratar e montar escala de funcionários, além do baixo faturamento no primeiro dia da semana. A escala segue no modelo 6×1, mas, agora, a folga semanal passa a ser fixa aos domingos. O Espírito Santo é o único estado do país com acordo coletivo que suspende o funcionamento do segmento neste dia da semana, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
A União Geral dos Trabalhadores (UGT) reforça que a medida não extingue a luta histórica pela jornada 5×2, com 40 horas semanais e duas folgas, meta que garante dignidade e qualidade de vida. Para a entidade, o modelo 6×1 adoece o trabalhador e a trabalhadora, pois retira o convívio com a família e amigos, limita o direito ao lazer e reduz a oportunidade de desenvolvimento pessoal. Os trabalhadores não aceitam mais baixos salários e jornadas extenuantes: querem se proteger da precarização e conquistar condições que permitam viver e se desenvolver plenamente.
O cenário do mercado de trabalho ajuda a explicar a decisão. Em 2025, o Espírito Santo registrou a menor taxa anual de desemprego da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012: apenas 3,3%, o quarto menor índice do país. Com menos pessoas procurando emprego, os empresários relatam dificuldade para preencher vagas no comércio, especialmente nos supermercados.
O modelo não é inédito no estado. Entre 2009 e 2018, os supermercados do Espírito Santo também não funcionavam aos domingos, após acordo firmado entre empresários e trabalhadores. Agora, a medida retorna como forma de reorganizar o setor e garantir descanso semanal, mas exige vigilância sindical para que não haja retrocessos.
Para compensar os domingos fechados, os supermercados vão abrir mais cedo e fechar mais tarde nos demais dias da semana. A UGT reafirma que o debate sobre jornada e descanso precisa ser ampliado, garantindo que o desenvolvimento econômico caminhe junto com a justiça social, a dignidade no trabalho e o direito ao convívio humano.
Fonte: UGT