Empresas passam a ter o dever de identificar, avaliar e prevenir riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como assédio, estresse, sobrecarga e jornadas exaustivas

A saúde mental dos trabalhadores passou a ocupar um lugar ainda mais importante nas obrigações das empresas brasileiras. Desde 26 de maio de 2026, está em vigor a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 — NR-1, que inclui expressamente os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o chamado GRO. A atualização foi estabelecida pela Portaria MTE nº 1.419/2024 e teve o início de vigência prorrogado pela Portaria MTE nº 765/2025.
Na prática, isso significa que as empresas devem olhar para além dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes. Agora, situações como pressão excessiva por metas, assédio moral, sobrecarga de trabalho, jornadas exaustivas, alta rotatividade, atendimento constante ao público, insegurança profissional e falta de apoio das chefias também precisam ser identificadas, avaliadas e prevenidas dentro da política de saúde e segurança do trabalho. O Ministério do Trabalho e Emprego destaca que esses fatores podem prejudicar a saúde mental, física e social dos trabalhadores.
Para o setor do comércio, a mudança é especialmente importante. Comerciários e comerciárias vivem diariamente uma rotina marcada por cobrança por produtividade, contato intenso com clientes, longos períodos em pé, escalas desgastantes, pressão por resultados e, muitas vezes, pouca previsibilidade de descanso. Esses fatores, quando não são controlados, podem contribuir para quadros de estresse, ansiedade, depressão, burnout e afastamentos do trabalho.
De acordo com as informações destacadas no material de campanha, o comércio varejista aparece entre os setores com grande incidência de afastamentos por transtornos mentais. Entre 2012 e 2024, vendedores do comércio varejista, operadores de caixa e repositores de mercadorias estão entre as funções mais afetadas. O alerta é claro: saúde mental no comércio não pode ser tratada como assunto secundário.
Com a nova NR-1, as empresas devem incluir os riscos psicossociais no inventário de riscos ocupacionais e, quando identificados problemas, adotar medidas preventivas e corretivas. O MTE informa que essas medidas podem envolver reorganização do trabalho, melhoria das relações interpessoais, revisão de práticas abusivas, acompanhamento das ações adotadas e monitoramento contínuo da eficácia das medidas.
Para o Sindicato dos Comerciários de Guarulhos, a entrada em vigor da norma reforça uma luta permanente da entidade: garantir ambientes de trabalho mais humanos, seguros e respeitosos. A saúde mental é parte essencial da dignidade do trabalhador. Nenhum comerciário deve adoecer por causa de metas abusivas, assédio, excesso de cobrança ou jornadas que impedem o descanso e o convívio familiar.
O Sindicato também alerta que a prevenção precisa sair do papel. Não basta a empresa dizer que cumpre a lei. É preciso ouvir os trabalhadores, avaliar a organização do trabalho, corrigir práticas nocivas e criar canais efetivos de acolhimento e solução dos problemas.
Cumprir a NR-1 é proteger quem faz o comércio acontecer.
Ambientes saudáveis reduzem afastamentos, melhoram as relações de trabalho e valorizam quem está todos os dias no balcão, no caixa, nas lojas, nos mercados, nos shoppings, nos estoques e nos centros de distribuição.
O Sindicato dos Comerciários de Guarulhos seguirá atento, orientando a categoria e cobrando das empresas o respeito à legislação e à saúde dos trabalhadores.
Saúde mental é direito. É lei. É respeito.