
Vivemos num país em que a cada 24 horas cerca de quatro mulheres são vítimas de feminicídio – assassinadas em razão de serem mulheres, muitas vezes dentro de suas próprias casas. Em 2025, foram registrados 1.518 feminicídios no Brasil, segundo a Agência Brasil, o maior número desde que esses dados passaram a ser contabilizados, com crescimento contínuo nos últimos anos. A cifra representa uma violência que não pode mais ser tolerada pela nossa sociedade.
As leis brasileiras já consideram o feminicídio crime hediondo e aumentaram penas e mecanismos de proteção. Mas leis severas só fazem sentido quando são cumpridas e aplicadas de forma eficaz, com suporte policial, com acolhimento às vítimas e com políticas públicas integradas. Não bastam palavras, precisamos de resultados. Precisamos nos informar, apoiar redes de proteção e reforçar a cultura de respeito às mulheres. O feminicídio não é tragédia isolada: é reflexo de desigualdades e violências estruturais que atingem, segundo o Datafolha, mais de 21 milhões de mulheres vítimas de violência a cada ano no Brasil.
No mundo do trabalho, muitas comerciárias enfrentam jornadas duplas: trabalham fora e voltam para tarefas domésticas, sem descanso de verdade. Por isso, não podemos deixar de olhar para uma questão que afeta diretamente a qualidade de vida de toda classe trabalhadora: o fim da escala 6×1.
A proposta de acabar com o regime em que se trabalha seis dias seguidos para ter apenas um de descanso ganhou apoio da sociedade: conforme divulgou a Agência Brasil, 73 % dos brasileiros apoiam a proposta de acabar com a escala 6×1, desde que salários não sejam reduzidos. Esse apoio crescente nasce da compreensão de que seis dias de trabalho consecutivos reduzem a presença dos pais em casa, dificultam o convívio familiar, prejudicam o lazer, a educação e a saúde física e mental dos trabalhadores.
Não é apenas uma questão de conforto , mas de dignidade. Não podemos aceitar um sistema que negocia nossa vida, nosso tempo com nossos filhos e nossa saúde pelo lucro.
Nesse debate, é essencial destacar a atuação incansável do deputado federal Luiz Carlos Motta, presidente da Fecomerciários, que tem mobilizado sindicatos e trabalhadoras/trabalhadores em audiências públicas para discutir alternativas à escala 6×1 e propostas concretas como a jornada equilibrada de trabalho.
O Brasil está mudando: cresce a percepção de que trabalho não deve consumir a vida, mas dignificar quem trabalha. Por isso, como sindicato, reafirmamos nosso compromisso com a luta pelo fim da escala 6×1, por jornadas justas e por mais tempo para que famílias vivam, exerçam seus afetos e construam um futuro melhor.
Temos que lutar contra todas as formas de violência e desigualdade — seja na sociedade, seja no ambiente de trabalho. A vida, o respeito e o tempo para viver plenamente não podem mais esperar.
Edson Carvalho – Presidente do Sindicato dos Comerciários de Guarulhos